Paz.
Em um momento de extrema manifestação racional me pego pensando: qual o verdadeiro significado da palavra ‘paz’? Diante de toda subjetividade vinculada à mesma não chego a lugar algum, simplesmente fico vagando sem algum rumo observando diversos caminhos sem muita conexão. Tudo bem, mas e onde a paz entra na história? Bom, entre tantos caminhos, muitas vezes somos forçados a fazer escolhas e sem saber ao certo onde nos levará, escolhemos aquele que imaginamos nos trazer mais alegria, mais paz. Todo o problema se instaura quando a paz que esperamos não é a mesma que adquirimos.
Por acaso, seria buscar paz através de cerceamento? Seria motivo de paz uma tentativa extremista de resguardo na qual, no final, será obtido o afastamento? É de se encontrar a paz proibir alguém de ter as próprias escolhas? Situações assim incomodam, machucam. É muita ingenuidade acreditar que é possível se obter paz, seja da forma que for, através de uma ditadura onipresente. É muita utopia chegar a imaginar que em algum momento é resguardo, proibir alguém de conhecer o mundo real. Em algum momento, cedo ou tarde, haverá algo que instigue o indivíduo a buscar conhecer coisas novas. Estar parado muito tempo em uma mesma realidade repressora não é típico do ser humano. A maior conquista de nossa adolescência é a independência, a liberdade de escolha e eis algo que não gostamos de abrir mão.
Vejo a porta se fechando por precaução. O ensolarado exterior parece ter dado lugar ao inverno, cinza e gelado. A fria escuridão se aproxima, consigo ver uma vela para me aquecer ali do lado de dentro e o incosciente revela a melhor e mais aconchegante, opção. A porta tende a se fechar, o lado de fora tenebroso e dolorido bate com força na porta e janelas entreabertas. Sinto a espinha gelar ao leve contato com tamanho frio. Enquanto os compartimentos se fecham posso sentir o fogo da vela tomando conta do lugar. A pequena chama traz luz, traz calor, traz algo parecido com paz. Será mesmo paz? A impressão é que esta pequenina palavra prefere se comportar como onda, sem plenitude, sim, momentos. Não importa. O importante é aproveitar cada conforto trazido por esta chama. Enquanto a cera escorre quente por minhas mãos o relógio se revela na forma de dor. Que o inverno seja rápido e que a vela dê fogo ao sol mais uma vez restaurando seu esplendor. O deconhecido mostra-se um velho conhecido e chama por meu nome, mais uma vez. A vela luta a velha luta. E resiste. Tomara que até a próxima estação.











